Já ouviu falar em onibus movido a cocô?

Um ônibus movido a esterco (cocô) de vaca conseguiu atingir o “recorde” de velocidade para esta categoria de ônibus que utilizam dejetos animais como combustível. A velocidade mais alta alcançada no teste do veículo foi de 123,57 km/h.

Ao que parece, fezes de animais servem também para finalidades mais avançadas além da mera produção de adubo.

Contudo, essa marca alcançada na Inglaterra foi, na verdade, o primeiro registro de um veículo movido a dejetos correndo em alta velocidade.

Sendo assim não necessariamente um recorde, mas nada menos que uma definição inicial. O reconhecimento oficial não deve ser feito no Guinness Book, que exige pelo menos 241 km/h para marcar um recorde de velocidade.

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O real combustível do ônibus é o “gás biometano”, extraído das fezes bovinas através de digestão anaeróbica, sem a necessidade da presença de ar. John Bickerton, engenheiro chefe do projeto, disse à BBC que a intenção é criar o primeiro recorde de velocidade dessa natureza para dar visibilidade à tecnologia. “Nós queríamos acabar com essa fama de ônibus sujo, fedorento e lento. Nós somos modernos, rápidos e estamos na vanguarda da inovação”, explicou Bickerton.

O Bus Hound, batizado em homenagem ao carro supersônico British Bloodhound, usa gás natural comprimido criado a partir das fezes bovinas por meio de um processo chamado digestão anaeróbica. O gás é liquefeito e armazenado em tanques no teto do ônibus, um dos 34 veículos da frota de Reading que usa o combustível verde.

Eu fico pessoalmente muito feliz por esta nova forma de uso do esterco animal. Saibam vocês a título de conhecimento que:

O gás metano liberado pelo esterco de bovinos e pelos peidos de bovinos em áreas de uso agropecuário em todo mundo é responsável por aproximadamente 88% de todo o gás metano liberado na atmosfera do nosso país. E isso acaba contribuindo com o efeito estufa em todo o mundo.

Por isso, eliminando este esterco e utilizando como combustível teremos uma redução neste índice.

Não achem que isso é exclusivo dos Europeus.

Pois uma das primeiras iniciativas do uso de Bio Metâno foi nossa.

Em andamento desde outubro de 2014, o primeiro ônibus movido a biometano da história circulou primeiro dentro de Itaipu, em Foz do Iguaçu (PR), transportando estudantes e funcionários da hidrelétrica. O ônibus, fabricado na Suécia, tem 15 metros de comprimento, dois eixos e capacidade para 120 passageiros. Ele atende a normativa Euro 6 e é considerado um dos mais modernos do mundo. Roda tanto com gás biometano, quanto GNV (ou ambos misturados) e, em relação a um convencional, movido a diesel, emite 70% menos poluentes na atmosfera e tem um custo operacional 56% menor. E ainda dá um fim digno ao cocô dos frangos, né?

A iniciativa, que conta ainda com outros parceiros como o Centro Internacional de Energias Renováveis-Biogás (CIBiogás-ER), a Fundação Parque Tecnológico Itaipu (FPTI) e a Granja Haacke, de Santa Helena (PR), responsável por fornecer a “matéria-prima” para o biocombustível, visa promover a tecnologia para o uso nos centros urbanos – afinal, os ganhos parecem bem sensacionais para serem ignorados. Como a integração do biometano à matriz de combustíveis do Brasil está em processo de regulamentação, com a Agência Nacional do Petróleo (ANP) fazendo consultas públicas sobre o tema, o momento é propício.

E sabe o mais legal? Além de toda a economia, o uso do biometano não afeta o desempenho do busão. Miguel Morales Gomes, master driver da Scania e responsável por conduzir o ônibus para todos esses cantos, disse não ter sentido diferença na direção em relação ao GNV, derivado do petróleo, combustível usado no México e na Colômbia: “A diferença é zero tanto em topografias de subidas quanto de descidas. Foram feitos testes em diversas condições, justamente para provar que a performance desse ônibus Scania movido a biometano é ótima.”

E como estamos neste projeto?

De outubro de 2014 a agosto de 2015 foram feitas várias demonstrações com o modelo sueco usando biometano e GNV. Com o ônibus abastecido de GNV foram cinco oportunidades, em 2015. O veículo passou primeiro por Sorocaba (SP), depois por Londrina (PR), Florianópolis (SC), São José dos Campos (SP) e pela capital paulista. Em São Paulo, a demonstração foi de junho a agosto de 2015. No período o veículo rodou 5 mil quilômetros movido a gás e os resultados foram aferidos pela Netz Engenharia Automotiva.


Atualização:

Brasil começa a produzir ônibus movido a biometano e GNV

Depois de demonstrar um modelo sueco abastecido com biometano e GNV, a Scania apresentou um veículo nacional com a tecnologia. O primeiro ônibus do País nessa configuração , seguindo da fábrica da Scania, em São Bernardo do Campo, para a cidade de Sorocaba, ambas no Estado de São Paulo.

“Desde que a Scania trouxe o modelo sueco no fim de 2014 para uma série de apresentações, o veículo, que consome biometano, GNV ou uma mistura de ambos em qualquer proporção, vem despertando o interesse como solução urbana sustentável”, afirma o diretor de vendas de ônibus da Scania no Brasil, Silvio Munhoz.

Mas quais os benefícios desse tipo de combustível num ônibus?

Um ônibus utilizando este tipo de combustível ajuda bastante quando pensamos no custo x benefício por usuário, e como o próprio Silvio Munhoz falou:

“Ele chama a atenção pela redução de custos operacionais por quilômetro rodado e da poluição sonora e de emissões. Em comparação com um similar a diesel ele emite 85% menos gases poluentes se abastecido com biometano e 70% se estiver com GNV. A partir desse veículo completo nacionalizado podemos realizar demonstrações com passageiros em linhas urbanas. Vamos levar o ônibus para a população conhecer e as empresas de transporte e órgãos gestores dos municípios poderão comprovar os benefícios.”

Em 2016 a Scania produziu três modelos de ônibus a biometano e GNV, mas um foi utilizado para realizar os testes que tanto se falara anteriormente.

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O modelo escolhido para os testes em uma linha urbana foi o K 280 6×2, com carroceria Marcopolo, chassi de piso baixo e cilindros de gás (seis, cada um com capacidade de 200 litros) instalados no teto. Para isso a carroceria foi reforçada. Também produziram uma versão com piso alto, cujos cilindros de gás foram instalados sob o assoalho. Foi informado pela fabricante que os modelos com seis cilindros de gás teriam autonomia aproximada de 300 quilômetros.

Além disso seria possível instalar mais cilindros a fim de ampliar a autonomia. Após um período de testes, foi possível se identificar os seguintes dados.

Quais os modelos lançados?

  • O K 280 4×2 que pode receber carrocerias de 12,5 a 13,20 metros e levar de 86 a 100 passageiros, equipado com um motor de 280 cavalos.
  • O K 280 6×2, de 15 metros, que tem dois eixos direcionais e capacidade para até 130 passageiros, equipado com motor de 280 cavalos.
  • O articulado K 320 6×2/2, de 18 metros, que transporta até 160 ocupantes e utiliza propulsor de 320 cavalos.

E como funciona essa nova tecnologia?

O veículo funciona com um motor de “ciclo otto”, mais silencioso do que os ônibus diesel, condição importante para circulação no meio urbano. Além disso, o novo ônibus tem baixas emissões de poluentes – cerca de 85% menos do que um ônibus similar a diesel – segundo testes e demonstrações realizados em várias cidades brasileiras e verificados pela Netz Engenharia Automotiva. O veículo chegou a percorrer em rodovias cerca de 700 km com sua carga total de gás (300 m³), mas na cidades o desempenho situa-se em torno de 350 km. O custo por quilômetro rodado ficou em R$ 0,89 contra R$ 1,24 dos ônibus diesel.

Quer saber mais sobre o assunto?
Para saber mais, clique aqui e leia uma apresentação da própria Scania que desenvolve este projeto.

E aí? O que você achou?

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